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05.06.2008 | Online


Esgoto

Residências realizam tratamento próprio de esgoto em Guarujá

Por Jeifferson Moraes

Investimentos privados em pequenas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) podem ajudar a melhorar a situação do setor, na região, além de contribuir com o meio ambiente. A solução é oferecida em cidades, como Guarujá, por empresas que desenvolvem tecnologia própria para o tratamento biológico de efluentes sanitários ou industriais.

Conforme dados divulgados pela Sabesp, Guarujá possui 50% da população com acesso à rede de coleta de esgoto. Isso significa que 64 mil moradores fixos, e uma média anual de 140 mil flutuantes, não possuem esgoto adequado com coleta e tratamento. Na maioria dos casos, o esgoto é enviado para fossas sépticas, ou então os dejetos são depositados a céu aberto, no caso das favelas.

As fossas são caixas subterrâneas feitas ainda na construção do imóvel, e são responsáveis pelo depósito dos efluentes. Periodicamente, de acordo com o uso, essas fossas devem ser limpas. Mas não existe fiscalização específica para esse fim e a má utilização do sistema pode contaminar o solo, principalmente os lençóis freáticos.

Sem a coleta da rede de esgoto, os efluentes passam a contaminar as águas de rios, lagos, e, no caso do litoral, as praias. As conseqüências são desastrosas, tanto para o homem como para o meio ambiente. Com o aumento da população e a falta de investimento público, o problema se agrava.

Ao menos em duas residências de um loteamento na Praia do Pernambuco, em Guarujá, o caso é diferente. Sendo uma região onde não existe a rede coletora, proprietários investiram em sistemas próprios de tratamento de esgoto eficazes. Essas ações privadas, ainda que de uma minoria, colaboram para a diminuição da poluição ambiental.

O tratamento do esgoto a níveis acima de 80% de pureza gera água que não pode ser reutilizada para o consumo, mas é totalmente inofensiva ao meio ambiente e pode ser utilizada para regar jardins, ou na descarga de vasos sanitários, por exemplo.

Custos - O sistema não é barato. Em uma única residência, o projeto pode ultrapassar R$ 10 mil. As obras tiveram o acompanhamento do engenheiro civil Orlando de Oliveira Campos, que atua na região há 20 anos. A empresa Rotogine KNE Plast, de Cotia (SP), desenvolveu um sistema próprio com filtros biológicos, que criam bactérias capazes de processar o esgoto. O kit pode ser adaptado individualmente em cada residência, com funcionamento independente e baixo custo de manutenção.

Um outro loteamento, mais ao norte de Guarujá, na serra do Guararu, possui uma ETE que atende 100% das residências. Em dezembro, foi inaugurada a segunda estação para atender o aumento de habitantes. Segundo o engenheiro químico e diretor responsável pelo projeto, Elso Vitoratto, da empresa Nova Era Ambiental, esse é o terceiro projeto implantado na cidade. O primeiro foi desenvolvido na Praia das Astúrias, na década de 1990, em um hotel, e o segundo no Forte dos Andradas, próximo à Praia do Tombo.

O projeto de uma ETE é baseado na vazão de efluentes que a população produz. A média de consumo de água em São Paulo é de 180 litros por pessoa, diariamente. Já em residências de classe média e alta, principalmente casas de temporada, o consumo aumenta para uma média de 300 a 500 litros diários por habitante. Só para a instalação da ETE, sem contar a rede coletora, o projeto demanda investimento de R$ 150 a R$ 300 por habitante. Para uma população de 4 mil pessoas, o custo pode ultrapassar R$ 1 milhão, conforme dados divulgados pela Nova Era.

O apelo ambiental ainda é o principal motivo desses investimentos privados, afirma Vitoratto. Mas já existem empresas que investem em ETE para reutilizar a água, e assim passam a ganhar na economia de consumo. O engenheiro citou como exemplo a rede de hotéis Ibis, que em toda construção instala tubulações paralelas para a reutilização da água do esgoto em descarga de vasos sanitários.

O setor energético também pode se interessar pela reciclagem do esgoto. A ETE tende a ser uma grande geradora de gás metano, altamente inflamável, utilizado no consumo industrial, ou mesmo, sendo vendido a outras empresas.

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